A mesma
Quase moça,
Menina,
Criança,
Seios apontando.
Quase mulher,
Velha,
Criança,
Seios desaparecendo.
Quase moça,
Menina,
Criança,
Seios apontando.
Quase mulher,
Velha,
Criança,
Seios desaparecendo.
Alma que, fugidia, faz caminhos
E mágicas em meu corpo,
A todo instante,
A cada dia.
Alma que, transparente, faz da minha
A alma sutil de minha amada.
Alma que espreita, pura, dos olhos
E voa a estágios no infinito, alada.
Alma, relâmpago nas artérias,
Fluxo interminável em sopros e cordões.
É bom surpreendê-la, cálida,
No insistente e no frêmito dos tendões.
A toalha de rosto:
Ninguém te ama tanto.
Pode procurar:
Ninguém vai tanto te amar.
É preciso não ser,
Para como a toalha de rosto
Te amar.
Eu queria a tua casa,
Aquela escondida além do bosque.
Há nela uma tal solitude,
Há nela tanta calma.
Talvez eu lá pudesse estar um verão,
Que verões não existem lá…
Sorrir, quem sabe, uns amanheceres,
Aquecer com chuvas a alma.
Às vezes,
Ao me olhar dentro
Sinto que sou feliz.
Em um lampejo qualquer
Que é a própria felicidade.
Porque, se percebe,
A felicidade não passa fora,
Nem nos bosques,
Nos rios, ou nas florestas.
A felicidade está dentro,
Na claridade de ser.
E quando muitas camadas
são assim retiradas,
lá estão os bosques,
os rios e as florestas,
dentro da própria felicidade.