Lua
Lua nova,
Imensa,
Rubra.
Nunca a tinha visto,
Assim,
Rés do chão.
A lua prova,
Intensa,
Nua,
Que posso pegá-la
Em minha mão.
Lua nova,
Imensa,
Rubra.
Nunca a tinha visto,
Assim,
Rés do chão.
A lua prova,
Intensa,
Nua,
Que posso pegá-la
Em minha mão.
É esta gota, eterna,
Que me atormenta,
Que me cala em sua indecisão.
Vem dos caules e das folhas,
Da integridade da árvore.
Não se esparrama nunca a gota
Em nenhum vão.
Seus espectadores,
Eu e o silêncio da noite fria.
O grande vulto transbordante
Da mangueira envelhecida –
Suspensa ao vento –
É o noturno corpo da gota.
Um ponto,
Uma só trêmula interrogação,
Sem queda, sem saída,
Sem tempo de ser,
No chão.
Duas torres,
Desaparecidas.
Duas bombas,
Nagazaki
E Hiroshima.
Duas flores,
Na janela,
Esquecidas.
Às vezes, vejo-me pensando
Se me importo com este estranho
No apartamento ao lado do meu.
E me pergunto:”Será ele feliz,
Ou infeliz como eu?”
É como quando se cumprimenta o outro,
No elevador.
A gente pensa:” Como sou só!
Nem posso falar da minha dor.”
Eu poderia toda uma vida andar
E não teria andado
Como neste anoitecer andei.
Aprofundam-se estrelas,
Desmaiadas e surgidas
Sobre a montanha entardecida.
Não, eu não poderia
Ter tanto andado –
Mesmo que a mim fosse permitido –
Toda a minha eternidade,
Porque, em uma só caminhada,
Neste entardecer, andei a vida.