Os bosques
Deus me deu o entender.
Nos bosques todos me acompanham.
Eu não deveria ter tido esforço,
Em perceber a magia.
Mas, somente, muito velho,
Fiz-me, finalmente, moço.
Deus me deu o entender.
Nos bosques todos me acompanham.
Eu não deveria ter tido esforço,
Em perceber a magia.
Mas, somente, muito velho,
Fiz-me, finalmente, moço.
Será que o meu cão perdido,
Que jamais não vi,
Está entre os cães da rua?
Chora entre eles
Que ladram na noite
Como todos os cães?
Ladra o meu cão também
Na noite onde choram todos os cães.
No enterro,
Um silêncio intramuros.
Entre as sepulturas,
Ao descer o caixão,
Um soluço.
As mulheres sérias,
Os homens sérios,
Vestidos muito vestidos,
Ternos muito ternos,
Risos.
Crianças brincando ao lado,
Crescente algazarra franca.
O soluço é dos adultos,
Os risos, das crianças.
Um lapso, com efeito,
Porque, de repente,
A tristeza manca.
Eu quero esta casa
Que se debruça sobre o mar.
Sua integridade
No olhar o mar.
Sua total integridade
Na filosofia deste olhar.
Porque de todas as entidades
Que nos procuram a alma,
A casa é corpo,
A casa é nosso mar.
Um pomar
No estreito espaço ao lado
Ao lado da casa pequena
No meio da cidade
No meio do homem aflito.
Um pomar que cheira um cheiro bom,
Um cheiro perfeito.
( Eu ia dizer direito!)
Um pomar
A gente fica pensando…
Este cheiro de cheiro bom
A gente de terno
Enforcado na gravata
O pé apertado no sapato!
Tiro e tiro tudo:
O terno, a gravata, o sapato!
Fico nu,
Descalço,
Cheirando o pomar.