“É impossível ter autopiedade quando me lembro que tenho olhos que vêem, mãos que podem tocar, pintar e escrever, uma boca para beijar minha amada esposa e meu bebê, um cérebro para desfrutar da vida ( e para criar problemas a resolver), um coração que funciona milhões de vezes automaticamente e a capacidade de sentir amor.Essas benções refletem a generosidade de El Shaddai…”Esta citação é de Daniel Kaufman, no livro “Anjos, Mensageiros da Luz”, deTerry Lynn Taylor, pg.212, Editora Pensamento, 2006, SP El Shaddai é a palavra usada pelos sufis para designar Deus, que significa “
O Deus Mais Do Que Suficiente”, ainda segundo o mesmo Daniel.
“Um Deus mais do que suficiente”, digo-o eu, que é pura generosidade, esta mesma que vem sendo mostrada nas tvs de todo o mundo, em Dvds,como caminho para o que se chama “O Segredo”,movimento no qual são destacadas todas as experiências que celebram a felicidade dos outros, entre muitas demonstrações que falam de agradecimento. Então, neste sentido, vou mostrar-lhes uma oração. De modo geral, pede-se nas orações, roga-se. Nesta, eu agradeço, orando pelo que me faz melhor. Chamei-a a “ORAÇÃO DO AGRADECIMENTO”:
Agradeço em mim o reflexo perfeito do Universo
Agradeço PELAS FLORESTAS E PELOS RIOS, MARES E MONTANHAS, QUE SÃO O MEU LAR.
Agradeço PELO SOL E CHUVAS, PELO CALOR E FRIO, QUE SÃO A TEMPERATURA DA VIDA.
PELO AR QUE RESPIRO PORQUE ATRAVÉS DELE POSSO ORAR POR TODAS AS COISAS.
Agradeço POR MINHA VISÃO, PORQUE ATRAVÉS DELA POSSO VER O QUE RESPIRO, agradeço POR MEU CORPO SÃO E, PRINCIPALMENTE, POR MINHAS PERNAS, COM AS QUAIS PISO O CHÃO.
Agradeço POR MINHA MENTE, SEM EGO, LIVRE PARA DISCERNIR O QUE É PODER ORAR POR TODAS AS COISAS.
Agradeço PELA TERRA E POR MEU IRMÃO, IGUAL A MIM, FILHO DESTA POSIÇÃO.
Agradeço PELO SISTEMA SOLAR AO QUAL FUI CONDUZIDO, POR TODOS OS PLANETAS, POR TODAS AS GALÁXIAS, PELO INFINITO QUE SE DESDOBRA.
Agradeço POR TODOS OS INFINITOS E PELO ESTRANGEIRO QUE ME OLHA DE SEU PLANETA
Agradeço PELAS ESTRELAS QUE FORMAM A MINHA AURA, POR MINHA MÃE QUE ME PERMITIU ESTA ORAÇÃO E PELOS ENTES QUE ME PROTEGEM.Agradeço PELAS RAÍZES ONDE TUDO DESCANSA E,APESAR DISSO,CRESCE.
Agradeço PELA EXISTÊNCIA DOS ANJOS E POR TODOS OS SERES VIVOS .
Agradeço por poder ORAR sem pedir, só para consumar o reflexo em mim do Universo.
Obrigado.
Diz Oppure
-Uma gota retém dentro de si uma migalha de pão. A migalha está presa, é uma diminuta esponja. A gota a toma toda, como se quisesse, com efeito, comportá-la, moldá-la.É, neste momento, a função da gota proteger a migalha. A gota adapta-se à migalha e esta àquela, presa, submetida.
“A gota e a migalha estão sobre a cuba da pia da cozinha. Na cuba vêem-se também poças d’água antes jogadas pela torneira.Parecem lagos elevados que se retraem à presença ameaçadora do ralo.As poças vão diminuindo em tamanho, até que se transformam em gotas brilhantes, as quais são uma constelação no universo da pia da cozinha.Macro e micro.
“A gota arrisca-se por causa da migalha de pão. Permanece firme, contendo a migalha e não deixa que ela desapareça pelo ralo, apesar do fato de que as demais poças transformam-se em gotas brilhantes e,afinal, desaparecem.
“Luc Ferry diz que “ minha convicção é que os únicos seres pelos quais arriscaríamos a vida seriam outros humanos próximos de nós.É um fenômeno sobre o qual vale a pena refletir. Somos canais de transcendências verticais situadas acima das cabeças dos homens de transcendências horizontais encarnados na humanidade. Este é a meus olhos o fenômeno maior neste começo de século.”
“Arriscar a vida pelo outro, isto parece fundamental para ele, uma idéia que merece ser estudada. Você arriscaria a vida por uma planta? Por um cão? Isto poderia aproximar-se de um desprendimento ou de uma noção inteira do que significa estar neste universo. A gota arrisca-se,automaticamente, pela migalha de pão, porque esta iniciativa é inerente à ela, enquanto intenção de ser neste universo que nos atende.
-E eu pensando no por quê as pessoas arriscarem-se por outras… – Murmurou Terra.
-Eu olhava um cão… – Continuou Oppure. – Ele parecia perdido em uma estrada.Tinha muito medo de mim. Eu me aproximava e ele fugia…(A alma aprisionada dos animais!) Fiquei pensando, eu, ele, eu e ele ali, em momento único, dois seres no universo, sobre a terra, estão neste mesmo planeta, com o mesmo dilema:”O que é isso? Dois seres no Universo. Allan Watts, já o li dizer que “a diferença entre nós mesmos e os animais consiste possivelmente em terem eles apenas uma forma mais rudimentar de consciência individual, mas, por outro lado, um alto grau de sensibilidade com relação à corrente interminável da natureza.”(1) Ora veja só: “um alto grau de sensibilidade com relação à corrente interminável da natureza!” Não é formidável? E eles têem uma “forma mais rudimentar de consciência individual” Até Watts me surpreende…Eu poderia me arriscar pelo cão, ele por mim… Não,se optassem os homens de Luc Ferry, Não, eu poderia arriscar-me por ele, por que nós dois estamos nesta mesma galáxia e sobre isto não há nenhuma dúvida! Você pode duvidar da palavra de outra pessoa, mas não pode duvidar de que você e esta pessoa estão em um mesmo planeta em dado momento da existência,mesmos seres na mesma corrente que corre para leste!Você também não pode duvidar de que em tudo existe uma alma.A alma não pode ser exclusividade do homem. Ela visita tudo, o cão, a floresta,os rios.O universo está mergulhado na alma.O homem se civiliza e somente se arrisca por outro homem. A gota, sem hesitação, protege a migalha de pão.
-Tudo isto parece ter sentido se a perspectiva é a do Universo, não da civilização…Acho. – disse Terra.
– A vida tem um sentido continuou Oppure. – Não se pode defini-lo em palavras, nem por padrões de pensamento, mas ele existe. É como um sentimento, um júbilo que toma você quando se tem a consciência disso( ou a inconsciência)É o espírito que vive em todas coisas como essência e energia, nas pedras, nas florestas, nas águas, na carne que estremece o teu rosto. Esta mesma carne que veio, justamente, de uma energia primordial que banha tudo. Agradeça por tudo isso, Terra. Agradeça o milagre dos planetas soltos na corrente interminável.Vou lhe deixar,por enquanto, com as palavras lindas de Allan Watts.(2) Poucas vezes um homem foi tão feliz em descrever este milagre que é o ato de viver:
“À amada companhia das estrelas, da lua e do sol;
Ao oceano, ao ar e ao silêncio do espaço;
À selva, à geleira e ao deserto;
À terra macia, à água clara e ao fogo em minha lareira.
A certa cachoeira em plena floresta:
À chuva noturna que cai no telhado e às folhas grandes,
À relva que o vento agita, ao bulício dos pardais nos arbustos
E aos olhos que dão luz ao dia.”*
Agradeçamos, Terra
*Watts W Allan, “O Homem, a mulher e a natureza, Editora Record,,tradução de Celso Meyer, Rio de Janeiro- São Paulo, pg.19,Copyrigt(C) 1958 by Pantheon Books, Inc.
Oppure dos Anjos começa a falar. Há um ouvinte: Alguém de nome Terra, que pode ser uma mulher ou um homem, uma árvore ou um rio, pode ser o planeta Terra, ele próprio, planeta, em muito boa posição para fazer perguntas ao Universo. Conversam em um bar…
– É preciso interferir no carma: não esperar que Deus o aprecie.Se carma existe e existe em um indeterminado sentido, assim há que ser.
– Organizar, quem sabe… – Aduziu Terra.
– Não há o que organizar na realidade direta. Tudo o que está disposto no espaço circundante, o está em lugares dispares, formando uma organização própria que tem a ver com lugar ocupado. Como um bosque ou uma floresta, tudo está em seu devido lugar não organizado. A percepção perfeita é a não barreira do que é certo. O pensamento é uma gota de cristal que se toca com os dedos. E, através deste pensamento, você percebe que vive em um ponto qualquer deste planeta. Esta, digamos, maravilhosa opção, nos foi dada um dia. Não sei se é, na verdade, uma opção, porque não houve escolha. Um dia, a gente é despejado do ventre aquecido da mulher, recebendo uma pancada de ar nos pulmões e, depois de muito gritar, está no Universo.
Oppure continua:
– Você já pensou nisso? Já refletiu a cerca? De repente, estar-se de pé, por assim dizer, sobre um planeta, em um sistema interplanetário, mergulhado em um Universo irremediavelmente sem fim. Por si só, o milagre está aí, não há porque procurá-lo em qualquer outro lugar. Está aí, quando você, com uma golfada de ar, inspira o universo inteiro. William James disse que “a nossa consciência desperta normal é apenas um tipo especial de consciência, enquanto ao seu redor, separadas pelos mais tênues véus existem numerosas outras formas de consciência.” O Eu é só um ponto de vista. Importa viver o virtual, que oferece o novo sem discussões. Nunca usar o usado.
“No início, era só a mente: uma intenção, algo a se desenvolver a partir de uma energia. É tão simples, que chega a incomodar. Mesmo se considerarmos que, em dado momento, alguma substância ínfima foi lançada do mar em solo “seco” e aí começou um processo de adaptação, ainda assim isso era só uma mente, ou a origem dela na intenção de manter-se por si mesma no Universo.
Uma voz destacou-se, lá fora, de entre as mesas:
– É claro que existe vida depois da morte. Se eu morrer agora, você continua vivendo não continua?
Oppure sinalizou um sorriso.
-Está vendo? – ele exclamou. – Você é sua escolha. A questão é de onde escolher. Há um personagem de Tolstoi que pergunta:”E se toda a minha vida tiver sido um erro?”
Apesar de não existirem escritores bons ou ruins, ele escreveu esta frase enxuta.
– Não existem escritores bons ou ruins?
– Quem escreve, escreve o que sente e só isso importa. Gosta quem quer gostar, lê quem quiser, gosta quem pode gostar. Tudo são idéias de outra pessoa: Joyce, Proust…Bobagem na presença do homem sobre a terra, pequena história do Universo. Era para o homem espelhar a magnitude de uma árvore. A mente, insisto sempre, é preciso ser tocada com se fosse uma gota. Como toda a cultura, isso de bons escritores, é tolice. A única coisa que, realmente, tem valor é a hora de defecar. Se você não fizer isso bem, nada mais terá valor em sua vida. Pense: Só importa que seu corpo funcione bem. No dia em que isso não acontece,tudo se interrompe. Você pode ler Camus ou uma revista de fofocas e não fará nenhuma diferença, se o seu intestino não segue adiante. Todo julgamento surge de um intestino comprometido. Todo “Sabe quem eu sou?” vem de um cara com prisão de ventre.
– Ou de um cagão de “merda”, não é não? – Exclamou Terra.
– Isso, os dois extremos. É preciso o caminho do desprendimento. Pergunte ao Universo: “Quem sou eu em sua substância?” Faça esta pergunta ,se possível, à exaustão.O silêncio lhe responderá. A verdade é silenciosa, ela não faz espalhafato. A mentira não precisa ser mostrada para ter algum sentido, se é que mentira poder ter um sentido, porque é preciso que ela seja dita. O mentiroso precisa de reconhecimento para ter validade.
Uma mulher passou junto à mesa. Oppure viu nela um rosto de tigresa. Ele e Terra olhavam-na com interesse. Como um anjo, seu corpo dissolveu-se antes que alcançasse o banheiro.
– Avião, heim? – excitou Terra.
– Vi um animal naquela mulher – disse Oppure. – Você está vendo só, tudo não é só uma questão de passagem pela vagina?
– É como a questão de “cagar”?
– Defecar, defecar! Não é que eu seja um purista. Quem inventou os palavrões sabia o que estava fazendo. Mas, porra, “cagar” é uma palavra feia…
– Purista… Eu estava pensando…Aquilo que você falou, que ninguém escreve bem ou mal.
Eu disse escritor bom ou ruim…
– É. E a questão do computador? Faz diferença?
– O computador só limpou a cesta de papéis e tirou o mérito de todos os Joyces da vida.
Dê graças a Deus pela gravidade.Você já pensou se todas as raízes sob a terra resolvessem vir à superfície?
– O que quer dizer? Às vezes, parece que você entra num assunto completamente diferente…. – disse Terra.
– Não há assuntos diferentes. Se todas as raízes subissem, duvido que Joyce tivesse qualquer importância – opinou Oppure.
– Assim, não há porque conversar – assinalou Terra.
– Não, meu amigo, aí é que há o porquê conversar, aí é que há. Todas as palavras ganham sua própria originalidade, sua sonoridade, como nos mantras. Nenhum computador pode tirar isso delas, nenhum. Não se trata de massa de informação, este som vem das cordas vocais, que, por sua vez, vêm de uma tessitura cósmica. O que se tece na eternidade …Este som que o corpo materializa, mas que lhe foi dado antes, antes mesmo de o primeiro verme ter tecido nossas entranhas. O som já estava, onipresente, no infinito, o corpo o capturou e pode devolvê-lo.Você já pensou como é importante devolver este som ao infinito em uma forma pura?
– Difícil – opinou Terra.
– O homem cria-se a si mesmo, tudo pode, portanto.Ele transforma seu destino, se quiser. Poucos têm noção disso, mas a possibilidade existe.
1- Você já foi analisado ?
Sim, já fui e continuo sendo analisado. Fiz um ano de análise em Bioenergética, com um terapeuta de um centro de meditações e bioenergética. Na verdade esse processo de análise individual era parte de um grupo de formação que participei durante 2003, 2004 e 2005 naquele centro. Lembro-me que foi um processo bem intenso, porque, além das sessões individuais, participava de workshops, grupos de finais de semana, meditações diárias e grupos de exercício de bioenergética semanais. Inclusive, morava dentro do próprio centro. Hoje faço análise reichiana e recebo supervisão do meu trabalho no Núcleo de Psicoterapia Reichiana do Rio de Janeiro.
2- De que forma isso influenciou sua vida (ou influencia)?
Sobremaneira. Eu era uma pessoa muito desconectada do corpo físico e da realidade objetiva. Vivia num mundo meio que à parte, que eu chamava de espiritualidade. Depois, me conscientizei que essa pseudo espiritualidade era, em boa parte fuga, escapismo. Não que a espiritualidade e a meditação não façam parte da minha vida hoje. E como fazem! O espaço meditativo que me rondava está totalmente aqui, só que de uma forma muito mais integrada. Uma outra questão também trabalhada foi a da minha paternidade. Ao longo da minha vida sempre disse que jamais teria um filho. Era até meio avesso a esse tema. Hoje posso separar, claramente, o meu tesão de ser pai e de ter uma filha linda, do grande medo que o meu pai tinha e que transferiu pra mim. Mas esse medo não era meu. Era dele. A terapia ajuda muito a clarear as coisas.
3- Fale-nos um pouco de você:Hoje, desenvolvo o meu trabalho com, basicamente, dois ingredientes: Terapia e Meditação. Abri meu próprio espaço em Ipanema, no Rio, o Espaço Vigor, onde dou Terapia Reichiana e Bioenergética em sessões individuais e exercícios em grupo. Atendo também meus clientes com uma maravilhosa técnica de massagem chamada Yoga Massagem Ayurvédica e organizo cursos e grupos de meditação. Nas horas vagas, gosto muito de exercitar o meu corpo. Freqüento academia de ginástica, gosto de musculação, natação, alongamento e correr na areia da praia. Naturalmente, sigo o caminho indicado pelo meu próprio nome: Swami Dhyan Ojas. Swami significa o “Pai de Si Mesmo”, o que consiste num dos grandes objetivos da terapia: dar nascimento a você mesmo, tornar-se um homem maduro, consciente, senhor das suas emoções e humores, ser digno e responsável, capaz de ir atrás do seu próprio prazer, deixar de terceirizar os seus problemas e aprender a andar sobre suas próprias pernas. Dhyan significa “Meditação”, ou seja, o caminho está na meditação, pela técnica meditativa e pelo êxtase. E Ojas significa Vigor: o viço e a seiva da vida, no corpo. O prazer e a dor de estar no corpo são aceitos como um grande desafio nessa fantástica existência.
Vida afetiva: Estou no meu sexto casamento, constituindo uma bela família. Moramos juntos, minha namorada Célia, vídeo-artista e cineasta, e minha filha Luiza, um pedacinho de gente de um aninho de vida – que se acha! – , cheia de vigor, peraltice e esperteza. Dá gosto voltar pra casa e ver o que a galera está aprontando..
4- Você diria que a analise foi (ou esta sendo) uma experiência fundamental para sua vida?
Foi e é fundamental. Não apenas a análise individual, mas também todo o mergulho que experimentei em diversos processos terapêuticos. Sem sombra de dúvida, não seria a mesma pessoa que sou hoje se não tivesse passado por toda essa vivência.
5- Havia alguma coisa não realizada e que você alcançou depois, ou em virtude da analise?
A paternidade, a realização do Espaço Vigor, meu próprio espaço de trabalho e desenvolvimento, a conquista de um estado de maior clareza e carinho com a minha sexualidade, clareza mental e maior enraizamento, são grandes conquistas que espelham o triunfo do processo terapêutico analítico na minha vida.
6- Como anda sua cabeça atualmente?
Ótima, estou numa fase de muita energia, com muitas idéias, muita vontade de realização e feliz com o que estou fazendo e com o que sou.
Currículo
SW DHYAN OJAS
Psicoterapeuta
47 anos
Formado em Bioenergética pelo Centro Namastê de Meditações Ativas e Bioenergética, do Rio de Janeiro-RJ.
Aprofunda seus conhecimentos da Psicoterapia Reichiana no Núcleo de Psicoterapia Reichiana do Rio de Janeiro-RJ
Formado em um intensivo grupo avançado da Traditional Ayurvedic Yoga Massage, ministrado pela Mestra Indiana Kusum Modak, criadora do método.
Aprofunda sua prática com Ananta S. Girard, criador da ARYM (Ayurvedic Restorative Yoga Massage), produzindo e atuando como seu assistente nos cursos, Básico, Intermediário e Avançado, realizados em 2006, 2007 e agora em 2008, na cidade do Rio de Janeiro
Treinado em Meditação Social pela Humaniversity College of Meditation, Egmond, Holanda.
Formado na técnica de Osho Renascimento pelo Osho Centro de Renascimento e Kyol Che do Rio de Janeiro-RJ.
Entrevista realizada em Setembro de 2008
1- Você já foi analisado ?
Bom….Já fiz analise até em “posto de saúde”. A minha ultima terapeuta foi a Mônica Visgo, em Ipanema. Da infância para adolescência me deparei com o seguinte dilema: Tudo que eu sentia parecia natural à minha pessoa, já que me acompanhava desde que me entendo por gente, ou seja, a homossexualidade. Nesta fase da minha vida, aconteceu uma tragédia: Fui violentado por um homem enorme e peludo que me dizia, enquanto me “usava”: “Eu sei que você gosta disso, seu safado”. Claro que fiquei traumatizado. Não entendia e me sentia culpado ou castigado. Passei a ter pesadelos com o King-Kong, aquele gorilão do cinema. Na época foi muito difícil entender que o doente era ele. Tentando me entender e entender o mundo que me olhava atravessado, fui procurar no posto de saúde um terapeuta. Só que posto de saúde é posto de saúde, quando eu ia, a terapeuta não aparecia, sem falar que,às vezes, eu chegava lá e era atendido por outra pessoa. Quando, bem mais tarde, o lado financeiro me permitiu, fui procurar um outro terapeuta. Aí, baixei em Ipanema, no consultório da Mônica Visgo, por três anos. O que me incomodou foi quando ela começou a me dar conselhos do tipo: “Se você quer mudar, esqueça a sua família”, ou “Pense só em você”; ou, o pior: “A sua opção sexual…”. Nunca encarei a minha homossexualidade como opção. Se fosse uma opção, eu teria optado por outra coisa.
2- Isto vem influenciando sua vida? De que forma?
A análise vem até hoje influenciando a minha vida. A primeira coisa que descobri, foi que o terapeuta também precisa de terapia. Deitar no divã de costas para o Terapeuta é continuar confiando nele sem o tal “olho no olho” é enlouquecedor para mim. E isso começou a fazer parte do meu dia a dia, falar sem medo com pessoas que eu não tenho intimidade. E me fez ficar mais atento para não ser manipulado por essas mesmas pessoas. O mais fundamental foi descobrir que não sou perfeito e tentar amenizar os meus conflitos com a imperfeição e a minha insegurança. Foi importante para minha auto-estima e para perder o medo das pessoas. Passei por fases na adolescência que tinha muito medo de não agradar às pessoas e não ser aceito. Me ajudou a trabalhar a palavra rejeição. Toda vez que eu ficava em evidencia numa situação boa ou desagradável, transpirava demais.Era só ser o centro das atenções, pela aparência ou trabalho, parecia que surgia uma cachoeira.Até hoje, às vezes, ainda me pego transpirando, bem menos, em algumas situações. Descobri que poderia ir a uma festa e não me embriagar, pois quando não me sentia bem nos lugares enchia a cara. Ou o que era pior; as vezes ia a um acontecimento social obrigado, porque aquilo fazia parte da minha profissão, badalar. Foi muito difícil para mim, que tinha nos artistas pessoas especiais, perfeitas, sensíveis e grandiosas, até eu descobrir que todos representavam na vida real, foi complicado. Me vi no meio de uma guerra de vaidades, puxões de tapetes, intrigas e panelinhas.Foi uma batalha interior muito grande. Foi duro descobrir através da analise que eu mesmo fazia mal pra mim, eu mesmo me machucava. E, às vezes, literalmente. Por isso, agradeço a analise que ajudou a me lapidar como ser humano.
3- Fale-nos um pouco de você:
Bom, falar sobre mim é muito difícil, mas vou tentar. Sou Libra com Aquário, ou seja, ar com ar. Tenho 46 anos. Sou artista: ator, diretor, autor e professor. Tenho uma relação muito boa com a minha família, meus pais criaram nove filhos. Então, desde criança aprendi a dividir coisas e espaços. Tenho com meus pais e meus irmãos uma relação carinhosa e sincera, todos sabem de tudo. E me ajudaram e continuam ajudando, em relação ao homossexualismo, me vendo como a pessoa mais normal do mundo, apesar de ser uma família muito católica. Sou e levo por opção uma vida franciscana, prefiro pessoas a objetos. Não sou consumista e nem comunista. Trabalho com jovens de todas as classes, acabo sendo um traficante do bem, levo informações de um lado para o outro. É gratificante acompanhar o crescimento e as descobertas. Me sinto quase um perfeito educador. Meu sentimento artístico passa longe de exibicionismo e celebridades. Acho que a arte é uma forma política (não partidária) de ser e de atuar. Minha homossexualidade não tem nada de feminino. Sou um homem e como homem gosto de me comportar, nada a ver com armários, pois esta coisa GAY é apenas mais uma manobra “inteligente” americana de taxar as pessoas. O meu problema é que sou bem paquerado e cantado pelas mulheres e quase sempre mulheres fortes e inteligentes e quando paquero algum homem ,assusto ele. Não levanto nenhuma bandeira. Estou solteiro no momento. A minha profissão me permite pesquisar e estudar sempre. Vivo em busca do belo e não da beleza. Hoje sinto o prazer do tempo, como vinho quando mais velho melhor. Trabalhei e trabalho muito a minha cabeça e minhas emoções, fico feliz por não fazer parte de estatísticas que dizem que quem foi molestado acaba sendo uma pessoa amargurada e que acaba repedindo o mal que passou com outras pessoas. Como falei, trabalho com jovens, inclusive em ONG nas comunidades carentes, e me tornei inimigo numero um dos pedófilos. Adoro trocar idéias e conhecimentos, poderia ter medo de pessoas, mas não. Gosto de: Filosofia, para-psicologia, pedagogia, teologia e sociologia. Tudo isso ajuda na minha profissão. Quanto a Tv, meus trabalhos são quase que pequenas participações, desde o começo não me encaixei no que a televisão espera de você. O vendável. No cinema fiz um filme tempos atrás, “Baixo Gávea” e só agora, de dois anos pra cá ,voltei a namorar o veículo.Fiz “O maior amor do mundo” e “O meu nome não é Jhonny”. Minha área e casa é o teatro. Sempre trabalho com grupos novos e experimentais. Sou inquieto e o experimental me satisfaz mais. O rico é maior. Fico frente a frente com o público (pessoas). E sendo ao vivo o meu domínio em relação ao todo é maior. No palco me sinto protegido, parece que estou numa redoma de luz. E talvez a arte seja um caminho mágico para se criar e desejar uma outra ou nova realidade. Ainda não sei ao certo se arte começou a funcionar como uma auto-defesa.
4- Você diria que a analise foi uma pesquisa fundamental para sua vida?
Por isso digo que a analise é quase que fundamental. Não sei se é fundamental, mas quase é. Porque de analisado você passa a analisar o mundo e as pessoas, e descobre que de perto ninguém é normal.
5- Você já realizou alguma coisa em virtude de ter experimentado ( ou estar experimentando a análise?)
Sim. Realizo-me mais como pessoa. Comecei a escrever, que é uma maneira de contar histórias. Isso vem dos meus encontros de terapia, contar histórias, comecei a transformar minhas histórias, graças ao meu artista, em histórias mais universais. Agora acabei de escrever: “Era uma vez um homem que ainda sonhava..”. Claro que este personagem tem muita coisa minha, mas é universal. O personagem (persona) não tem nome, mas tem um olhar em relação ao mundo que é meu. Em resumo ,agora eu assino embaixo sem medo sobre as coisas que penso e sinto.
6- Quais os projetos para o futuro ?
Continuar atuando num espetáculo solo: “A Beleza da Loucura”. O roteiro é meu e é uma coletânea de textos clássicos, que falam da beleza e das possibilidades de um artista. E vou dirigir, rezo para sair o patrocínio, “Em Buarque no Chico” um texto que conta a história do Brasil, de 1963 até os dias de hoje, só com letras, textos, entrevistas, peças e romances de Chico Buarque.
7- havia alguma coisa não realizada e que vc alcançou depois , ou em virtude da análise?
Sim. Funcionar como líder. Não me esconder por medo do que as pessoas iriam pensar de mim e das minhas idéias. Passei a não me anular mais. E hoje tenho dimensão da minha presença, da minha chegada que sempre é forte e marcante. Passar para o papel de líder foi uma conquista da análise. Saber que posso realizar e comandar. Estar na direção de espetáculos e também na direção de uma escola. Ficar em evidencia era uma coisa que eu não sabia bem como lidar.
8- Como anda sua cabeça atualmente?
Minha cabeça?! Ela anda e anda muito bem. Não só anda como voa e flutua. Ela é o resultado de uma construção diária. Hoje com 46 anos, me sinto as vezes com vinte e poucos, parece que o menino está começando a se acostumar com o adulto. E assustadoramente gratificante fazer parte de um universo em expansão. E como faço parte do todo também continuo em expansão. Hoje já não fico tão assustado comigo e não tenho mais medo de mergulhar de cabeça dentro de mim. Saber que ainda tenho novidades e muitas possibilidades. Me amar esta sendo muito bonito. E principalmente não me violentar mais em qualquer situação é o meu bem maior. Continuo inquieto e inseguro, e isso quer dizer que não tem fim o meu desejo de me colocar no mundo. Hoje me sinto em paz, mesmo sabendo que o mundo não é perfeito e nem eu. Me assusta a violência, a falta de educação, a vulgaridade e o imediatismo. Mas , todos os dias, quando acordo e abro os olhos ,vejo a luz. Sempre sonhei com o futuro e agora eu sei que o futuro é hoje, como vai ser amanhã e depois de amanhã. E o primeiro passo para modificar o mundo é eu sempre me modificar, crescer e me multiplicar. E continuo achando a minha homossexualidade uma coisa muito normal, quase como nascer de olhos claros ou escuros, alto ou baixo, gordo ou magro. Nasci homossexual e não um doente ou anormal. E isso acaba sendo um diferencial. Um diferencial do bem, que me faz bem.
Currículo
CICO CASEIRA
Ator, diretor, professor do teatro “O TABLADO”, Diretor da escola profissionalizante do SATED no Retiro dos Artistas.
Junho de 2007