EIS QUE TRAGO O QUE SABE O NÃO MANIFESTO

DO SER E DO HOMEM

Posso lhe dizer: O homem(mais) erudito, versado em muitos conhecimentos, e o homem simples que se agarra a uma frágil linguagem, ambos, podem estar, igualmente, distantes galáxias da verdadeira natureza do SER que neles habita; não faz nenhuma diferença. Os dois, terão que ser levados, por um dar-se conta, à fonte da pura sabedoria

O homem que se aproxima de você e fala de seus títulos, está, muito provavelmente, em situação de nunca saber sobre a natureza do SER. É difícil ter saída, já que a empáfia é condensação forte. Trate com o humilde.

“Nós somos apenas crianças que procuram respostas (…)”Certamente, um dia, espero, vamos ter a idéia central por trás de tudo. É tão simples, tão belo, tão convincente que, então, vamos dizer: “Oh, como teria sido o contrário! O que temos feito para sermos cegos tanto tempo! ”
“Você é sua verdadeira natureza sempre. Não é uma questão de estar consciente “dela” .Você é ela. Os pensamentos, sentimentos e experiências estão aparecendo nela. Esse é o único ponto a ser visto.,”

Esses pensamentos, vinculados na internet, constam como de John Weeler,, considerado o pai da Física, que nasceu em 1911 e morreu com mais de noventa anos, há pouco tempo, portanto.
Consta também ter sido quem cunhou a expressão “buraco negro”.
A “idéia central por trás de tudo”, sempre a intuí, sabendo que minha mente é incapaz de alcançá-la., mas a qual sei ser a minha verdadeira natureza. Essa in- certeza é a maior benção que pode ser dada a um ser humano, além de templos ou gurus.
Se você a tem, reze em templos e cuide de seu guru. Você já é o UM.

Ofereça a sua atenção, por assim dizer. Atenção pura. Olhando de lugar nenhum, você é a Eternidade em ação.Eu sei. Não há como dizer. Eternidade já é ação sem ação.

Talvez a única coisa que valha a pena, ou cause “surpresa”, seja a magnitude de tudo. Isto é, o SER já é o milagre, como indica OSHO. Este milagre, além do filme imaginativo que forma nossa vida mental, é que é surpreendente e nos faz pensar por que nos foi dado esse estar aqui tão frágil, já que, sendo um milagre, por que sermos tão inconsequentes, para usar uma palavra suave, e por que inventamos um filme imaginativo tão grandioso. Fugimos da verdadeira natureza.

A tudo o silêncio atravessa. Por que falaram tanto os homens sobre coisa nenhuma e esqueceram sua verdadeira natureza?
Diminua o volume do Mundo e ouça o silêncio que você É.

Não posso escapar de Não Ser.

Ao mistério,é preferível nada dizer. Acho que se perde o mistério ao traduzi-lo para o idioma das palavras. O mistério fala de silêncio.

LIN DE VARGA

EIS QUE TRAGO O QUE SABE O NÃO MANIFESTO

DE ANJOS
“Olhamos para ele e não o vemos;
Seu nome é O Invisível.
Procuramos escutá-lo e não o ouvimos
Seu nome é o Inaudível.
Tocamo-lo e não o achamos;
Seu nome é O Sutil”
LAO-TZU,Tao Te Ching, 14

Essa citação está, entre diversas outras, no livro dos Anjos, de sophy burnham,(1) sobre Anjos, naturalmente..

Eu havia encontrado tal livro, anos atrás, na Biblioteca Pública de São Lourenço,MG Li-o, então, parcialmente. Há, talvez uns quatro dias, sem nenhum motivo claro, resolvi mexer em alguns livros no armário, puxei um ,aleatoriamente, como brincadeira, e ele veio. O Leio, novamente, direto.

É bom, mesmo para os que não são afeitos aos anjos, por que tem informações e citações várias de pessoas destacadas na história dos homens,

Esta aí sobre, de Lao-Tzu, (2)pg 70,que me é cara, refere-se ao TAO,ao espaço infinito que nos contêm a todos e aos fenômenos que O Universo, parcialmente, mostra. Condescenda, se quiser, e pode ser aplicada aos anjos. Mas não seria o caso de se condescender, -perdoem-me os anjos, -pois os amo e tenho uma fraternidade deles que me acompanha.

Gosto de pensar que Fechner, o mesmo que nos deu a Psicologia Experimental, escreveu “Da Anatomia Comparada dos anjos” e os Anjos nela são produzidos pelo Sol e nos vêm em esferas de Luz(,resumindo drasticamente) .Assim os percebo, luzes que, em última instância, estão, como tudo o mais, no “corpo” da Consciência Pura.

Ora, nada mais próprio, já que sequer existiríamos se não fosse a benevolência do Sol.

Uma coisa é fato. Quando nos aproximamos deles( Os Anjos), eles se apresentam; em uma disposição, no aumento de um bem sentir-se ,no fazer-se melhor, no saber-se mais e mais no silêncio Infinito de nossa verdadeira natureza.

Santo Tomás de Aquino Sophie nos informa(3), pg. 73,em 1250, “escreveu um tratado inteiro sobre os anjos. Argumentava que os anjos são pensamentos puros,que assumem formas corpóreas quando querem…”

Já andei escrevendo poesias sobre Anjos, e não custa lembrá-las aqui; só por que de anjos estamos falando.

1
É lá que tramam os anjos!
Entre uma palavra e outra
No silêncio da intenção.
Ali, na dobra,
Onde uma gota d’água pousa
Sobre a textura da flor.
Onde soluça a criança
Na respiração do universo.
Lá tramam os anjos
No cantar e no dançar,
Em um suspiro, em um olhar, no gesto.

2
O que escrever agora,
Quando nada há a escrever?
Escrever a morte?
Mas se não se lê a morte,
O que fazer?
Talvez um anjo se debruce
Sobre o meu ombro
E saiba, em silêncio,
Tudo o que (não) dizer.

3
Pense na torre de Pisa,
Ereta
Em sua tortividade.
Mas nós é que somos tortos,
Em cada cidade.
O anjo de asa quebrada
Trás o sopro da perfeição.
Acalantos, depois preces,
Mantras, OM.
Pense na torre de Pisa,
Pense no som.

4
Algo se tece,
Os anjos tecem
Os bosques.
A folha descansa,
Ninguém fala,
O nevoeiro avança,
A vida para.

5
O medo passa como um solfejo,
Um apelo,
Algo sutil
Que, se olhado,
Não tem nenhum medo.
Ah, que sob a neblina
-Na floresta mesma-
Úmida, in-penetrante –
Teu anjo te espera.
Seja folha, faça parte,
Seja seiva, portanto;
Seja terra.

6
É na fímbria,
Onde flui a impossibilidade
Velando toda possibilidade,
Que se pode vê-lo,
Porque, somente, sentido,
Pode-se tê-lo.
Um abraço envolvente
Que nos toma a alma;
Um mergulho intenso,
Além das palavras,
Em um lapso.
Entre o medo e a calma,
Na fímbria e na alma.

7
A minha vida é esta,
Outra não tenho para viver.
Sou único,
Como você.
Sou único em minha textura,
Nada me faz outro.
Como posso um outro viver

(1) “ O Livro dos Anjos”, de Sophy Burnham,1995, Editora Bertrand Brasil.
(2) Idem
(3) idem
LIN DE VARGA

EIS QUE TRAGO QUE SABE O NÃO MANIFESTO

O SEGREDO DA FELICIDADE

Eu anotara em um pedaço de papel: “Veja :Todo o construto pode ser visto em bloco e mantido em perspectiva.” Encontrei- o agora entre as páginas do livro “Eu Sou Aquilo”, de Sri Nisargadatta. E, na página 255, lê-se: ”Sou como uma tela de cinema – clara e vazia –as imagens passam sobre ela e desaparecem, deixando-a tão clara e vazia como antes. A tela não é afetada de nenhum modo pelas imagens, nem as imagens são afetadas pela tela. A tela intercepta e reflete as imagens, não as forma. Ela não tem nada a ver com os rolos de filme. Estes são como são, blocos de destino (prabdha), mas não meu destino, os destinos das pessoas que aparecem na tela.”

E, mais adiante, no mesmo livro, pág.387: “A arte da meditação é a arte de desviar o foco da atenção para níveis cada vez mais sutis, sem perder o controle sobre os níveis deixados para trás. De certo modo, é como ter a morte sob controle. Começa-se com os níveis mais baixos – circunstâncias sociais, costumes e hábitos ;entorno físico, postura e respiração do corpo; os sentidos, suas sensações e percepções; a mente, seus pensamentos e sentimentos – até que o mecanismo inteiro da personalidade seja agarrado e segurado firmemente.”

Sempre experenciei (se é que se pode usar esta palavra), como intuição e percebimento claro de nossa verdadeira natureza infinita e silenciosa, um estado de vacuidade absoluta e, completamente à parte deste ,o que chamo construto, de toda a minha história pessoal, agora um filme projetado, visto, com efeito, de uma poltrona colocada à distância da tela.

A anotação que fiz estaria sob o beneplácito do livro que o abrigava, Se me liberto, devo-o, com certeza, ao contato com uns poucos sábios como Nisargadatta.,Despidos dos invólucros de gurus, eles apontam simplesmente
Ninguém olha em mim. Sou o que sou, irremediavelmente. Só há uma vacuidade imensa, claridade, e a miragem adiante.

Olha toda a esteira da tua vida desfilando ante ti, agora, porque se o fazes antes da morte física, morres para o teu passado, e és no presente.

Às vezes, quando venho aqui, não sei o que dizer ou, sequer, o que estou pensando. Então, dou-me conta de que, em verdade, sabendo a Infinita vacuidade que Sou, e que me faz Eterno, nada poderia, de fato, pensar ou dizer

Não importa Quando você sabe, de repente, e só poderá ser de repente, de sua .verdadeira natureza, a vida em torno ,irremediavelmente, revela-se a ficção que é .”O filme irreal da vida está sendo mostrado”, diz Ramesh Balzekar

A literatura mais sofisticada, os berros alcoolizados em um bar, a emoção da mãe que fixa a criança que deu à luz, agora, o furto dissimulado, o roubo à mão armada, o ignóbil da corrupção, nos grandes Bancos e na esquina da rua, tudo está alí. Todavia, chamados ignóbeis ou grandiosos, serão sempre um jogo de xadrez, cujo rei jamais será tombado

Tudo muda no diferenciado; tudo É no indiferenciado..
Preste atenção a não dar atenção à mente; vá além dela e dê atenção ao que vale a pena. Guarde o vazio infinito com sacralidade. Você será você.

“Enquanto você se identificar com eles (o corpo e a mente), estará condenado a sofrer; compreenda sua independência e fique feliz. Eu lhe digo, ESTE É O SEGREDO DA FELICIDADE (grifo meu).Acreditar que você depende de coisas e pessoas para ser feliz se deve à ignorância de sua VERDADEIRA NATUREZA)(grifo meu); saber que você não necessita de nada para ser feliz, exceto o autoconhecimento, É SABEDORIA(grifo meu)”.Sri Nisargadatta Maharaj.

Só “ouso” grifar.Nessas poucas palavras , a intuição primordial de sermos nós mesmos se revela. E nada é preciso: Quando nos damos conta, a infinita felicidade da expansão eterna nos diz sim.
LIN DE VARGA

EIS QUE TRAGO QUE SABE O NÃO MANIFESTO

Perdão e Perdoar(Se)

Estou olhando meu corpo internamente. Não há um só órgão fora do lugar. Posso depurar tanto o meu olhar, que me atravesso em corpo. Não tenho identidade, SOU sem pele, SOU só consciência que se olha em mim. É preciso que não haja medo, é preciso desapegar-se de qualquer rótulo ou padrão. A vida não espera que você prepare seu corpo para vivê-la.

Pensei em pensar o pensamento em si mesmo e, assim, ultrapassá-lo. Fazê-lo acontecer tão radicalmente, que, em acontecendo, não mais fosse. Pensei em uma palavra; uma bem usada: “Flor”. Primeiro, são decompostas as letras: “F, L, O, R”. Veja, a flor não é mais um nome. Depois, imagina-se a flor; ao imaginá-la, ela é vermelha em minha mente. Faço despedaçar pétala por pétala. Ela desaparece, então, no contexto do pensamento. O pensamento já não É, ou É, no máximo, uma energia fugidia que vai logo desfazer-se, misturar-se ao AR de tudo, no ESPAÇO de tudo. Veja só, pensar pode ser uma energia no TODO; a ficção está na fantasia que nele se coloca.

Há um estremecimento onde as árvores tentam voar de suas raízes.

Talvez eu precise conversar com alguém. Mas, é tão impressionante que ninguém saiba.

Há três plantas no meu banheiro. Entre elas, uma janela. Olhando da porta e plenamente de frente, percebe-se que elas estão todas apontando para a janela, assim como em um sublime gesto de devoção, tão comum nas figuras e pinturas religiosas. Esse gesto das plantas é a verdadeira religião. Algo que está no cerne delas. É a presença da energia única que vive nas plantas e em você. É tão encantadoramente simples, sem rebuscamentos, interesses ou desejos,sem perdão ou perdoar(se), que comove. Este enternecimento é parte do incomensurável, o qual, por sê-lo, essas palavras não alcançam interpretar.

Poucos vêem realmente a vida; vêem seus pontos de vista sobre ela.

Experimente, só por um instante, só por brincadeira, digamos, olhar para seu nome em perspectiva: Olhe-o longe, na formação do pensamento, aquele código que ficou registrado. Não é possível perceber que você não é esse nome?Que você pode olhá-lo e,portanto, se o observa, não pode ser ele?

Esse rio que sai daqui e entra em outro rio, e se torna oceano, e volta à gota que é, sabe que transpira em todos os planetas e na estrela mais próxima, e no rosto da criança surpresa com a vida?

Aquelas três nuvens ali, tendo o sol como cimo, avançam paradas e céleres, como bólidos de esperança sem porto ou chegada. E são tão lindas em tal fragilidade…Dissolveram-se já.

A respiração se fecha em círculo. Em todos os animais? Onde está a respiração na mosca? Quem se aproxima mais do SER simplesmente? Quem faz círculo para respirar ou quem não? Quem pode estar mais exposto ao SER do que a planta, do que o mar, do que o ar que é o próprio SER do mar?

Talvez haja uma espécie de ansiedade, mesmo além do humano que a inventou; mais certo seria dizer uma tensão, algo expectante, isto é, que aguarda em observação; talvez exista porque aconteceu,quem sabe,o big-bang, mas isso não pode ser corrompido em palavras, nem à nossa perspectiva. Pode-se tê-la como um arrepio no corpo da Eternidade.

LIN DE VARGA

EIS QUE TRAGO QUE SABE O NÃO MANIFESTO

QUAL O SENTIDO DE SUA VIDA?

Como procurar o sentido da vida se, para fazê-lo, você tenha de constatá-lo na linha do tempo, nos acontecimentos que se equilibram nela e que foram riscados por uma caneta cuja tinta se enfraquece paulatinamente e chega à dissolução?

Em que momento terá ele, o sentido, surgido? Em que momento começou o enredo do filme que faz o fluxo de pensamentos? Era a sua poltrona de observador confortável, ou você foi participante ativo, vivendo a dor e o sofrimento dos dramas inventados?

Lembro-me de um acontecimento na minha infância (talvez eu tivesse uns seis anos) e estava em Nova Friburgo, RJ, Brasil, e brincava na rua, quase ao anoitecer, com um amigo. Acho que vagabundeávamos mesmo, olhando uma coisa e outra.

Havia na referida rua o Sanatório Nava l(não sei se existe ainda), para o qual eram encaminhados os militares da Marinha doentes, particularmente os tuberculosos. Havia uma guarita junto ao portão que protegia a subida até à sede, lá em cima. Ali estava um guarda, e, na minha lembrança, em posição de sentido.

Eu perguntei ao amigo se ele duvidaria que eu fosse à frente do militar e lhe fizesse continência, ”Duvido”, foi a resposta óbvia.

Lá fui, postei-me na frente do guarda e lhe fiz continência. Eu tinha seis anos! O homem tirou um cassetete da obscuridade da guarita e me desfechou um golpe violento nas nádegas.!

A dor intensa, é claro, “sinto-a” agora, ao escrever sobre a linha do sentido de minha vida.

Fatos como esse, que nos atravessam durante a vida, a impregnação dos pais e tantos outros, talvez destruam um sentido para a vida, se você vive na febre da mente condicionada, feixe de pensamentos presos à necessidade de ser alguma coisa no futuro, miragem nunca alcançada, porque a procura no deserto é árida e o oásis não existe.

Se não se vai além da mente, se não se a olha em perspectiva, como pura testemunha, um acontecimento como esse é irremediável. Não poderá ser aliviado, via mente, mesmo que se juntem todos os terapeutas sobre a Terra. E os há, muitos, guardando sob a manga o trunfo do “ caminho certo”

Algo foi esfacelado lá, no âmbito do nascer e viver. É preciso morrer para ser outro. Não renascer: Ser outro.

O exemplo foi dado, porque surge de um inesperado que não pode ser assimilado jamais. Quantas pessoas estão nos consultórios de psicólogos porque papai e mamãe foram rudes com eles ”Papai e mamãe” fornecem um suposto sentido; pelo menos isso.

“Uma mente que é resultado do passado não pode libertar-se do passado por seu próprio esforço. O mais que pode fazer é tornar-se cônscia de suas reações, cônscia de como guarda ressentimentos, para depois perdoar”, diz Krishnamurti.

Se eu pudesse mudar minha vida, gostaria que não houvesse nada a mudar, porque, de fato, nada existe a ser transformado na esteira de ficção que se estende e que denominamos passado. Mudei-a já, ao perceber que, dando um passo atrás, sou atemporal, além ou aquém do fluxo de pensamentos, um mudar de foco dado à atenção.

Atenção plena, ao Agora que é, em primeira instância, nossa verdadeira natureza. ”Pensar é estar doente dos olhos”, vislumbrou Fernando Pessoa.

“Para falar significativamente do começo de algo, você deve sair dele.”,diz Sri Nisargadatta Maharaj”.

Aquele acontecimento lá na distância da infância é uma miragem. Agora, Sou no eterno presente. Encontrei meu oásis.

LIN DE VARGA

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