Eis que trago o que sabe o não manifesto

É preciso inverter:Você é o Espírito, o Imensurável, o Não Manifesto em uma fugaz experiência humana.

Há uma força que a tudo permeia. Por isso é preciso ser a gota que se dissolve no oceano.

Há um lar calmo no silêncio das esferas. O fogo na lareira sabe disso.

As pessoas não gostam de ler jornais antigos. Querem a atualidade da notícia. É curioso como, na maioria absoluta, vivem no passado.

Mas se eu sei, ao pisar a relva macia, o que ela me oferece: A minha integridade, serenidade e forma;que dela faço parte e ambos do Universo somos. Então, nela, em verdade não piso: Flutuo, sou. E ela, agradecida, cresce.

Se você olha desse lugar muito além das esferas, se olha da Inteligência Infinita que forja mesmo as pétalas de uma flor que caem, ou o burburinhar da água,se você olha do silêncio do espaço infinito, ou da presença eterna do aqui e agora, o que lhe posso dizer neste fim de ano? É claro que não existe nenhum fim de ano na eternidade que você É. Talvez se pudesse, ao menos, celebrar esse novo ponto de vista. Mas se é possível mudar o ponto de vista – o que não é pouca coisa -, então, lhe desejo um feliz ano novo… Um eterno feliz ano novo.

Há a idéia – já muito assinalada por vários indicadores de caminho – de deliciar-se com a coisa manifestada ela mesma. Talvez não tenham colocado com essas palavras, pois as expresso agora,mas se você tem essa capacidade, de verdade, em totalidade, então cumpre-se a finalidade do Universo, em uma completude necessária. Este é o maior segredo de todos. Se você tem isso efetivamente, está iluminado , realizou a eternidade, não é mais seu corpo nem sua mente, está em casa, como gosto de dizer.

Feliz eterno Ano Novo.

LIN DE VARGA*

* VARGA, segundo o “Aurélio”: 1- Várzea alagadiça; 2 -Armadilha de pesca, espécie de rede.

Eis que trago o que sabe o não manifesto

O ego não se sacia Pergunte a ele: “O que você quer?”.Sendo incompleto em sua composição, formatada pelo Outro, ele quer, sempre, alguma coisa. O sentimento de ansiedade, o deixa tonto,porque o próprio ego não sabe o que quer. Quando você, afoito por satisfazer-se, responde,por exemplo:”Ah, eu quero viajar!”, lá no fundo uma faísca de insatisfação aponta. É claro, você já está em casa, só precisa ter este ponto de vista.

Se o nascimento é próprio da incompletude, como o Ser iluminado pode estar aqui?
Em verdade, a morte é o início, a chegada se preferirem. O que chamamos vida, é só uma, digamos, antevisão dela, morte, algo de processo no manifesto que a consciência, quem sabe, quis. Impressiona, assim, o que se colocou nesta dimensão para preencher a ilusão de que se é algo.

Não é formidável ter-se a consciência de que a mente é resíduo, assim como o Manifesto é resíduo do Não Manifesto?
Os gatos não têm a angústia da morte. Penso que se pode ver a eternidade nos olhos dos gatos.
Há uma vida que não é humana. É como se ela nos olhasse, mas isso é metafórico, porque sabemos que tudo é essa vida. Não sabemos?Quando se “pensa humano”, não se pensa o pensamento total do Universo, ou seja, a energia que é a composição de tudo, desde a relva até o espaço incomensurável que se alonga…O humano fecha em uma suposição. Há uma vida fora, que está dentro, que se dissolve no corpo, quando a mente se esvai. Há, com efeito, uma vida não humana.

E, quem sabe, descobre-se que não é uma questão de realizar a consciência. Ela já está realizada em você. Então, é o término da procura. As pessoas esforçam-se, vida inteira, para fingir que não são a consciência, o chamado “Eu Superior”. Esta a grande ironia. Esta a grande prova proposta por Deus. Ela é dada. E a transcendência é perceber este fingimento. É “voltar `a casa”, de onde, afinal, nunca se saiu. Tem-se que convir que é formidável e espantoso como o homem se deixa levar. Agora percebo porque me chamei “Varga”, armadilha. Eu não tinha a noção abrangente, antes, quando o fiz. O nome que lhe é dado – que lhe é dado -, é sempre uma armadilha e, como pano de fundo, a “armadilha divina”, que pode ser tão facilmente desarmada, mas a sutileza, a “Leela”, deixa o homem tolamente enganado. Esta brincadeira, pode estar embutida em uma notícia ruim, digamos, a de uma dívida inesperada, em uma dor de dente, em comer um chocolate. Tudo lhe quer afastar…

Se a mente foi produzida pelo Outro, se houve alguém a fazer, construir,modelar alguma coisa, ou seja, sua vida, assim como se produz um carro em uma fábrica, ou uma camisa em uma confecção, então você não pode amar através dela,mente. Mesmo que digamos que tomaremos as rédeas depois, por assim dizer,ainda assim a mente foi composta pelo Outro. Você pode amar seus filhos através de seus…sapatos? Não, você só pode amá-los além da mente, além do construído, através do sentir que vem do Cosmos,de Deus, se preferir, mas os homens desgastaram a palavra Deus ao criar dogmas. Fizeram desta palavra uma construção.

LIN DE VARGA*

* VARGA, segundo o “Aurélio”: 1- Várzea alagadiça; 2 -Armadilha de pesca, espécie de rede.

Eis que trago o que sabe o não manifesto

O mais fascinante na vida, ou sua finalidade mais contundente, é que ela, vida, não tem nenhuma finalidade. É puro espaço, puro Aqui e Agora.

Se você está atento à vida, então, irremediavelmente, não há espaço em você para acúmulo de bagagem( memória).E aquela bagagem que está lá no bagageiro, no inconsciente e no consciente, vai, paulatinamente, dissolvendo-se.

Antes de pensar, você “era” outra coisa. O corpo e o pensar são manifestos. O “Eu Sou” é não manifesto.

Os sonhos nada mais são do que ajustamentos de um Ego insaciável. Não têm nenhum valor. São puro acúmulo, conteúdo a ser descartado.

É preciso silêncio nos ombros. Nenhuma carga.

O importante é que todo condicionamento é pura limitação. Quando observa-se a mente em sua totalidade – percebendo-se a limitação desse condicionamento como se fosse uma bola de energia dissolvível – então pode-se ver além dela a infinitude, essa amplidão que está logo adiante, limpa.

O sono profundo é como a morte. A respiração garante a volta à vida ,até que, finalmente, se consuma o retorno à casa, à eternidade. Essa a mais profunda realidade.

Por que a civilização fez tanta firula para explicar a simplicidade do inexplicável por palavras? Por que tanto medo de se reconhecer o milagre de tudo? Por que o não manifesto fez o manifesto?Para que todo esse volteio à procura de uma finalidade inexistente? É preciso perguntar a Deus.

Uma das mais belas palavras da consciência, é aquela que fala da necessidade de sermos gratos ao deleite que nos é oferecido pelo Universo, nós que estamos,neste canto do manifesto, e do quanto somos necessários,ou não estaríamos aqui. A consciência nos penetra para olhar o que criou. Eis o que sabe o Não Manifesto.

A terra não pode ver-se a si mesma; as árvores, os rios, as flores, não se podem ver a si mesmos;os animais não podem ser vistos por si mesmos;o ser humano não se pode ver por si mesmo Só a consciência a tudo pode ver e ver a si mesma. E a consciência faz isso através de você .O observador pode ser observado?Quem pode pensar sobre tudo isso?

LIN DE VARGA*

* VARGA, segundo o “Aurélio”: 1- Várzea alagadiça; 2 -Armadilha de pesca, espécie de rede.

Eis que trago o que sabe o não manifesto

A morte é o final de um ciclo mágico e faz você interagir com todas as coisas manifestadas, enquanto funde-se ao eterno não manifestado. Respeita a morte dos outros, porque eles merecem completar este ciclo. É próprio deles tal completude. Deixe-os ir à liberdade absoluta. Não há maior demonstração de amor de sua parte. Se você amou, realmente, a pessoa que morre, em vida dela,se, realmente, a amou, ame-a também libertando-a, completamente, à eternidade. O amor de permitir que o seu próximo vá além da morte, é o amor mais verdadeiro, porque está além do EGO. É preciso que se dissolva o EGO, para ter-se sentimento tão íntegro.
Saber que você não tem limites, é pura expansão e a felicidade suprema. Somos em um círculo que se expande eternamente.

Tu vens do Útero, do oceano, e não percebes teu sal, misturado a todos os mares. Tu não sabes que todo aquecimento é retornar ao Útero? Que – em um pequeno intervalo -tu estás desligado da eternidade? Não deixa teu corpo em ti…É só retórica, só te quero pegar. Tu és e serás sempre pura eternidade, pura consciência.

Se tu despejas tua semente no orgástico ato de viver, tu sabes que participas, sem nenhum filho. Aí, o amor por teus filhos, é incomensurável.

Em dado momento, depois do “Eu” indefinido, do nada profícuo, o homem se ergue como a árvore, na tentativa de criar seus próprios galhos. O homem É árvore, e o homem não É e, quando não É, permite-se olhar Deus.

A consciência a tudo engloba, porque não há lapso. Lapso é para algo chamado tempo e tempo não existe para a consciência.

Você corrompe a programação com o vírus da consciência; mas, quanto a este, não há anti-vírus.

O que sou? Posso lhe responder fazendo uma analogia: Sabe um cano, através do qual assobia o vento? Sabe o bambu, que recebe também uma aragem? Isso sou eu. Sou o cano e o bambu e, ao mesmo tempo, sou o vento e a aragem.

Só ouvir o silêncio,é ouvi-lo mesmo com o homem usando a britadeira,na rua;só ouvir o silêncio,é ouvi-lo apesar do matraquear da mulher, na TV; só ouvir o silêncio, é olhar para a sua história e sabê-la ficção da mente; é não ter identidade e, ao mesmo tempo, saber que sua identidade é Deus; é amar profundamente todos os seres, sem precisar que eles o amem, de volta. E,aí, justamente, você sabe que não há volta; mesmo que haja um esforço fingido, você não consegue se incomodar.

LIN DE VARGA*

* VARGA, segundo o “Aurélio”: 1- Várzea alagadiça; 2 -Armadilha de pesca, espécie de rede.

Eis que trago o que sabe o não manifesto

É preciso des-com-juntar a palavra.

Se você reconhece o silêncio como sendo você, então você está “iluminado”, na acepção que se gosta de usar tal palavra. Não há “retorno”, ser iluminado é ser o silêncio e, então, olhar o mundo, observar tudo o que acontece. Não gosto tanto da palavra iluminado, porque ela se desgastou. Reconhecer que se É o silêncio, isto é viver.

Não há maior bênção do que a consciência: Olhar dela, da eternidade,portanto, todos os acontecimentos.

Há aquela história do Buda: Ele falava para um grupo. Um inseto se lhe pousou no ombro. Ele o lançou fora com um gesto brusco e continuou a falar. Terminada a preleção, ele repetiu o gesto de braço com o qual fizera fugir o inseto. Um discípulo lhe perguntou o que fazia e ele teria respondido: “Estou repetindo o gesto com atenção plena e, assim, não permito resquícios para Carma.” Carma é sempre inconsciência, eu diria. É preciso construir o observador.

Eu só sei que é um milagre, nós, tripulantes de uma nave, deslizando pelo espaço infinito. Este milagre o Não Manifesto nos convida a assimilar.

Todo sofrimento é fruto da inconsciência. Não há cicatriz na consciência. Não existe conteúdo na consciência para produzir uma cicatriz.

É uma sensação surgida uma manhã, não de repente, mas insinuando-se, lentamente, se é possível dizê-lo dessa forma. A de que o ego diminuía, como uma bolha de sabão desaparecendo no ar, ou como uma bexiga sendo esvaziada( esta é a imagem de ECKHART TOLLE sobre o assunto, a da bexiga), ou, mais precisamente, como “algo”( não consigo descrever), que ia se dissolvendo na consciência, no silêncio. E assim, veio a impressão de que não poderia mais encher-me de inutilidades ou pensamentos, não mais enquanto des -envelheço, enquanto me torno quem SOU. Esse reconhecimento não deixa que você seja atingido por nada.

Se você foi um dia semente, ou, antes dela, o nada, é IMPOSSÍVEL que se pense que você seja algo diferente desse silêncio. Isso é óbvio. O mais difícil( sabendo-se disso, porque é comprovável, acontece com cada Ser, humano ou não),é supor que você possa ser um nome, uma identidade, um bolo de pensamentos, um corpo. Ainda assim, o corpo, que é semente em um momento e desaparece para gerar novas sementes, é o mais próximo do nada, do silêncio. Com tal compreensão, como se pode não respeitar o seu igual, tudo que há sobre a Terra, tudo que há nos Universos?

A consciência além daquele que observa, além do observado, a consciência SOU.

Deixa o fluxo. Deixa a ordem de palavras ditas. Todo pensamento é palavra aglutinada.

Há algo que pode ser a sua transcendência. O “a consciência SOU”.

É preciso des-com-juntar as palavras.

LIN DE VARGA*

* VARGA, segundo o “Aurélio”: 1- Várzea alagadiça; 2 -Armadilha de pesca, espécie de rede.
julho 6th,2010 Lin de Varga | Sem comentários