A ALMA DO SILÊNCIO
A alma do silêncio. Qual será a alma do silêncio?
Se tu te olhas na lua e percebe nela tua integridade, sabe que a relva também suspira e, como tu, é una na Eternidade.
Retira-te em ti mesmo; este o segredo: É estar em casa e não ter medo.
Não há nada que não se cumpra; tudo vai se cumprir pela sua morte ou pela consciência. Talvez você nunca se dê conta,mas, ainda assim, terá vivido com a consciência como pano de fundo. E o irônico é isso: Você terá tido a oportunidade, simplesmente porque esteve aqui; mas não terá vivido.
Sinto-me estrangeiro. Acho que faço parte do 1% que não assistiu à novela das 8:00. Aquela que esvaziou ruas, ameaçou a energia e, segundo consta, diminuiu os crimes; no horário dela, é claro.
Há um abismo além de todas as galáxias, e nós, exilados minimamente nesse planeta; as tempestades e furacões nos eliminam tão rápido em nossa fragilidade, que sequer poder-se-ia dizer que nos percebam. E, no entanto, seguimos como um exército de intoxicados por dogmas e superficialidades, línguas e fronteiras. Por isso mesmo, talvez, não consigamos perceber, no abismo, o Infinito. Entre nós e essa realidade, há uma ponte de corda, incerta e oscilante, chamada ego.
Penso, com a segurança da incerteza, que a única coisa que nos cabe nesta vida,é buscar. Na busca, a perfeição. É curioso que tal busca seja um parar tudo e constatar.
O que sussurra em mim? Sou filho do cedro, das araucárias, dos bosques profundos, da unidade de SER…O que sussurra?Quem é você, pergunta a mim alguém. Quem fala por meu nome? Quem sou além da ficção de mim mesmo?
LIN DE VARGA
QUEM O SUICIDA ESTÁ MATANDO?
Eu a tudo renuncio e, ao fazê-lo, a delicadeza é vista, porque se não há apego, tudo é êxtase. No entanto, ainda então, é preciso ser sutil, ou delicado se preferir .As pessoas que não entendem, vão se revoltar e oferecer rituais pré-fixados. É preciso a tudo incluir e permanecer em casa.
Tudo é necessário. Um olhar de passagem é necessário.
Tudo está no vazio e tudo a ele retornará, infinitamente. Agora, se você percebe isso dentro de si – a expansão do Aqui e Agora -, então, descobriu a verdadeira felicidade, o quem é você.
A essência de que falo é a essência sem essência do Ser no Não Ser.
Você não fica parado na Eternidade, porque nela não há espera, que é própria da ilusão da mente.
Preciso consumar o que me foi dado por milagre.
Se você realiza quem você é, então realiza também que não existe nada a que se possa pertencer. Você é o tudo e seria redundante pertencer a si mesmo.
Falava-se na tv sobre o suicídio de alguém. Aquele(a) que se mata, a quem está matando? Impressiona porque está matando, justamente, aquela pessoa que ele(a), suicida, não é, verdadeiramente. Mata um ego superlotado de dores, pensamentos recorrentes, ódios, ressentimentos… Todas as desgraças que a mente humana vem acumulando desde que surgiu sobre a Terra. Suprassumo de ilusão, mata a ilusão em que mergulhou o homem, alheio à plenitude que lhe é inerente, o pano de fundo de felicidade que ele embotou com toda a sorte de estupidez.
O curioso é que, com efeito, tudo o que você precisa matar é,,justamente, essa ilusão pela qual morre o suicida. No entanto, você a mata através da consciência, de saber-se não essa ilusão, mas sim pura percepção, aquela que do Não Manifestado fez-se manifestada.
LIN DE VARGA
Oito bilhões de seres humanos sobre a Terra. Cada um deles tem uma
história?
espaço infinito
silêncio absoluto
Se se constata que todo o Manifesto é ilusão – e as pessoas não se percebem ilusão manifestada -,é imperdoável agir-se nessa ilusão com algum artifício; sabendo-se, é claro, pura Consciência.
Olhando-se a Humanidade – toda a babel de fenômenos e acontecimentos -, impressiona a Consciência. Nisargadatta não sabe o porquê de lhe ter acontecido. Só confiou no Mestre.
Como as pessoas conseguem viver supondo que são finitas, que morrerão com seus corpos? Deve ser horrível!
O que se pode dizer?
A palavra é armadilha.* Perceba o espaço em torno do texto.
LIN DE VARGA*
Tolle e Lao Tsé
“Quando me dissolvo em mim, a mente desapareceu no MISTÉRIO, o vazio sem limites. TUDO É. Há um torvelinho; não, é mais: Um sopro. E reabsorção.”
A bênção, com efeito, está em morrermos para o que supomos ser e nascermos na Eternidade que somos.
É a testemunha que dá possibilidade ao conhecido. O ver e o visto. Se não há quem veja, o visto não foi visto. Pura percepção sem intenção e a testemunha se funde no que vê.
É como se fora um silvar de cobra. Este alento, nascido do suspiro imediato à não existência, com-penetra. Só isso há e só isso importa.
Os olhos de uma pessoa: Suponha que você os olhe com toda atenção e que neles possa ver o milagre que é uma imagem impressa na retina. Por exemplo, um edifício,uma rua cheia de veículos e gente, uma floresta inteira, uma montanha, o rosto de outra pessoa, um rio( com o luar pousado nele)…Se você puder me apontar um princípio de crença indiscutível que me traduza este milagre, a ele me converto.
O computador não é mesmo filho do homem? Como acumula!
Se você sabe que é puro espaço, os sentimentos estão livres para acontecer sem fronteiras neste espaço; tudo está dentro deste espaço, dentro do espaço infinito e puro que você é.
Não há uma deliberação em viver-se na ilusão, apesar de algumas pessoas chegarem às portas da consciência e, com medo do imensurável que é, às vezes, de relance, num lampejo, pressentido,retornarem. Há relatos na internet de pessoas que perguntam coisas tipo “…Mas como vou criar os meus filhos?” Com efeito, é impressionante saber-se que se É essa Consciência – puro espaço infinito e silêncio – e constatar-se o extraordinário número de pessoas que vivem presas em suas construções mentais. É impressionante constatar-se isto, saber-se Aquilo, não.
Eu estava em um quarto de hotel, no interior das Minas Gerais,sentado sob um abajour que pendia do teto, às quatro horas da manhã, lendo o capítulo 7 do livro “Um Novo Mundo, o Despertar de uma Nova Consciência”.(1)Logo adiante, sobre a mesa, eu tinha um exemplar do TAO TE King, de Lao Tsè.(2)
No texto, TOLLE diz, em dado momento: “…É a consciência sem forma e a essência de quem somos.” Resolvi assinalar a frase e procurei a lapiseira entre as folhas do Tao Te King( nunca se marca um livro com tinta de caneta). Ela, a lapiseira, estava na página 25, na qual se lê:”o TAO é como um recipiente oco…(…) Parece o manancial de todas as coisas.”
Estes dois homens, separados,digamos, por 2500 anos entre as suas vidas, tomam conhecimento de uma verdade tão esmagadoramente simples, assim como a tomo eu, sentado naquele quarto de hotel. Somos pura consciência e é só isso que sabe o Não Manifesto. Difícil supor que a maioria das pessoas não a percebam.
O Todo não observa: É.
LIN DE VARGA*
1. TOLLE, Eckhart ; “Um Novo Mundo, O Despertar de Uma Nova consciência, Editora Sextante, pg. 192, 2007;
2. TSÉ, Lao; Tao Te King, o Livro do Sentido e da Vida,Hemus Editora,5a.Edição.
Uma dedicatória feita a alguém, encontrada em um livro de Thomas Mann, na biblioteca de São Lourenço, dedicatória esta que, no mínimo, foi esquecida. Diz o seguinte: “ Como nunca, procurei um livro que falasse aquilo que penso, que venho sentindo. Percebi, com aflição, que tal livro cabe a mim escrevê-lo – com ou sem talento. Assim, escolhi Thomas Mann, que já o fez de modo fantástico. Pour toi,Franklin, com o que pode haver de carinho. ( Fulana de tal, 87).
” Com o que pode haver de carinho”. Poucas vezes as palavras conseguem, como aqui, abranger o sentimento tão completamente. Isso porque o coloca em uma dimensão intangível do que é possível sentir, sem limites.”O que pode”, tudo pode. Há uma conotação de imponderável, este mesmo que nos abraça a cada instante e que existe na própria incerteza (para nós) do Universo dentro do qual somos.
È preciso estar-se atento: Há uma vida além dos pensamentos e que está ao nível da natureza( das árvores, das plantas dos rios, por exemplo). No entanto, existe outra: “É” depois de toda coisa material, de toda forma. Muitos dos que se intitulam mestres,talvez não tenham noção dessa dimensão única e real.
De repente, num estalar de dedos, dou-me conta de que tudo está fora; toda a programação de uma vida nada mais é do que um filme que passa. Agora sei, depois de tantos mestres; e agora, estando em casa, estou também muito próximo da Eternidade.
Um dia, o discípulo apareceu para o encontro com o Mestre escondendo uma foice sob as vestes . O Mestre, atento, percebeu que ele trazia a ferramenta.
-Para que a foice? – Perguntou.
-Para cortar sua cabeça. – Respondeu o discípulo.
-Você perdeu a oportunidade de fazer isso – retrucou o Mestre -, quando teve a intenção de fazê-lo.
Leia a seguir um texto do OSHO:
“Sente-se e olhe para os olhos um do outro (melhor piscar menos quanto possível, um olhar suave). Olhe cada vez mais profundamente, sem pensar.
Se você não pensar, se você apenas olha fixo nos olhos, logo as ondas irão desaparecer e o oceano será revelado.
Se você puder olhar fundo nos olhos, você sentirá que o homem desapareceu, a pessoa desapareceu. Algum fenômeno oceânico está escondido por trás e essa pessoa era somente uma onda de uma profundeza, uma onda de alguma coisa desconhecida, oculta.
Faça isso primeiro com um ser humano porque você está mais perto desse tipo de onda. Depois mova-se para os animais – um pouco mais distante. Agora mova-se para as árvores – ondas ainda mais distantes; então mova-se para as rochas.
Logo você se tornará cônscio de um oceano ao redor. Depois você verá que você também é somente uma onda; seu ego é somente uma onda. Por trás desse ego, o anônimo, o uno, está oculto.
Somente ondas nascem, o oceano permanece o mesmo. Os muitos nascem, o uno permanece o mesmo.
Osho, em “Vedanta: Seven Steps to Samadhi”
Via Osho.com
Imagem por onigiri-kun
Publicado no blog palavras de Osho
Pratique as meditações de Osho – conheça as técnicas e espaços Osho
Este texto me foi enviado por ”Palavras do Osho”. Arrisco-me a dizer que se ele, OSHO, nada mais tivesse dito, tudo teria dito nestas palavras. O ego é,com efeito, uma onda e a atenção pura, simples, direta, venho dizendo, é o caminho perfeito para fazê-lo desaparecer no oceano que somos, no espaço que não se mede e que é nossa verdadeira natureza
LIN DE VARGA*