É, ACHO QUE SABE O UNIVERSO

Às vezes, me pergunto , triste, o que o homem seria se não tivesse, afoito,
Inventado o tempo. Se tivesse aguardado para ouvir o silêncio das esferas – a lua – o sol – o verde -,o vento sussurrando nas quimeras.

Em verdade, o ser humano tem a capacidade, mas, de ordinário, não vive a vida real que existe e está além da intenção humana.
De fato, não há vida a ser vivida no âmbito a que o homem se impôs.
Vejo dentro de mim a sombra que está dentro de todas as pessoas; ninguém constata a energia que lhe caberia da energia total.

Se eu fecho os olhos e presto atenção ao meu interior, constato nele o infinito anterior a toda manifestação, antes mesmo de todas as galáxias (o que não quer dizer de meu aparato físico cerebral). A plena escuridão que lá constato é a natureza única de tudo.
As pessoas gostam da ideia da supra consciência inundada de luz; mas não; ela está inundada de vastidão. O que somos, intrinsecamente. Isto é ser “intrínseca-mente” e é a mais alta percepção. O resto, é imaginação.

Que todo o passado seja perdoado. Nem que sejamos nós mesmos a nos perdoar, “porque o sofrimento é o esquecimento de quem, realmente, somos: a própria vida. (1). E “Sua verdadeira natureza dissolve as fixações da mente.” (2). Saiba que na “solitude do nada o absoluto contempla sua beleza.”(3). E, finalmente, tudo que se diz parece ser pura redundância, porque “alma, ente ou ego são meras palavras.Não há entidade assim. Consciência é a única verdade. (4).
Não é maravilhoso saber-se Pura Consciência e estar, neste saber, em companhia desse pessoal aí?
(1) Jeff Foster.
(2) Gilbert Schultz.
(3) Rumi.
(4) Sri Ramana Maharshi.

Mas se me silencio, e o meu silêncio tem intenção, ouço o animal vagando em florestas profundas, e o galo que cocorica nas manhãs.
Mas se sou o silêncio, o último pássaro estanca seu vôo, e seu canto para, porque SOU, SOU, SOU.

Lin de Varga

SEM NOÇÃO

Durante dias e dias choveu por aqui na cidade em que estou no sul das Minas Gerais.
Hoje,amanheceu um céu belíssimo,azul puro até onde a vista alcança.As matas verdejam e há silêncio na manhã, ainda cedo.

Quando eu era criança tinha uma fantasia,às vezes,ao olhar o céu:que um bólido vinha lá do espaço, um asteroide ou coisa assim, e nos destruía a todos.
Que fantasia,hein?

Agora,é realidade.O homem conseguiu; chegou lá, em sua inconsciência .Uma bomba atômica pode iniciar a 3 Guerra Mundial.
Vocês acham que é fantasia?

Tudo está conectado: os efeitos dos incêndios na Austrália são constatados já no Rio Grande do Sul.O petróleo sobe, porque mataram o General no Iraque.

Nisargadatta diz que a pessoa é um “mal-entendido”(cito de memória);tendo a concordar.
O ser humano não sabe a que veio. Não entende o milagre que é estar sobre a Terra e fazer parte deste Universo infinito.
E quer se destruir nesta ignorância que o incomoda.

Lin de Varga

DE REPENTE…

            De repente, as pessoas podem perceber que a resposta sempre esteve dentro delas, como as águas de um rio que são, afinal, uma só energia, como o regresso dos pássaros ao ponto de partida de onde alçaram vôo. Todo o trabalho consiste em entrar em sintonia com esta resposta, porque, então, pode-se ter uma outra perspectiva. Por assim dizer, um novo ponto de vista que, mesmo parecendo paradoxal agora, não é, realmente, novo: já estava dentro de todos, obscurecido.

            Nós, em nossas vidas, cruzamos e mantemos contato com várias pessoas, sem, contudo, percebê-las, realmente, na maioria das vezes. Entretanto, em um instante, podemos começar a ver o quanto são interessantes todas elas, como se passássemos, de repente, a sentir seus rostos, a ter absoluta noção deste milagre que é o ato de viver.

            Todas as coisas verdadeiras acontecem para nós em um relâmpago, isto é, repentina e imediatamente; a partir do momento em que tenham acontecido, nunca mais voltaremos a sermos os mesmos. Ao olharmos para trás e nos recordarmos de como éramos, talvez nos venha uma surpresa por termos sido tão limitados. Entretanto, dentro de  outra perspectiva, este relancear de olhos ao passado não será de tristeza, mas, sim, de grata satisfação por nos ter sido possível descortinar que, na grande experiência chamada vida, têm-se sempre respostas: TODAS AS EXPERIÊNCIAS SÃO VÁLIDAS E FUNDAMENTAIS.

                                     O ÚNICO SEGREDO: A INTUIÇÃO PRIMORDIAL

            Mas como achar esta resposta? Com entrega. Nada forçado. Um equilíbrio que emana da ordem do Universo. Alguma coisa que está em uma dimensão além do princípio e do fim.

            É importante ressaltar o aspecto de uma outra perspectiva, na medida em que ela será nova (e aí se pode usar a palavra “nova”) em relação a uma situação de condicionamentos e limites (preconceitos, ressentimentos, frustrações), já, então, ligada, diretamente, à INTUIÇÃO PRIMORDIAL existente em nós, porque esta se encontrava, somente, embotada.

            De nada adianta trabalhar-se em cima de uma estrutura minada. Não se constroem edifícios sobre fundações fracas. A natureza do Ser é a da perfeição. Nós a embotamos durante a vida. Tiram-se as impurezas, a beleza vem à tona. Não se preocupe com a lógica que rege a vida em sociedade, nem com os conceitos. O conteúdo acumulado da mente deve ser filtrado. Urge alcançar-se a plenitude, mantendo-se contato com a INTUIÇÃO PRIMORDIAL. No entanto, trata-se de uma urgência diferente. Nada tem a ver com a urgência comumente entendida: Correr atrás dos valores materiais e supérfluos da sociedade (Estes serão, afinal, simples conseqüência). Não. A urgência de que falamos tem a ver com a rapidez do relâmpago que faísca entre as nuvens, com a imediata transposição para uma nova dimensão, da qual todas as coisas são vistas com discernimento.

            É preciso deixar claro que, em todo o caminho a ser percorrido, não é necessária nenhuma preocupação com teorias, dogmas, controles de quaisquer espécies. Não há  doutrina a ser seguida. De forma nenhuma. A resposta está em uma dimensão de total liberdade, de desprendimento, de uma absorção tal de todos os fenômenos da vida, que eles se tornam sem importância material e plenos de importância espiritual. DIMENSÃO NA QUAL VOCÊ TUDO PODE. Um “bom dia” será o desejo de que o outro seja feliz em sua jornada e não um cumprimento que é dado automaticamente, sem nenhum valor energético.

            Quando você não se preocupa com as regras da sociedade, transforma-se no melhor de seus membros. Suas regras são as do bom senso e este só existe plenamente na INTUIÇÃO PRIMORDIAL. O seu momento mais certo serão todos os momentos. Não intelectualize. Sinta, simplesmente, com o seu organismo inteiro e, deste modo, viva. Escute o que têm a lhe dizer todas as mágicas manifestações da natureza. O silêncio vivo da vegetação é muito mais contundente do que qualquer palavra. Este tipo de silêncio FALA PROFUNDAMENTE.

Fragmento do livro “A INTUIÇÃO `PRIMORDIAL”, de Lin de Varga

No prelo digital

ME BEBE O MAR?

Ventava muito e ele não se lembrava de um março no qual houvesse ventado tanto. Só sabia que não poderia pescar, novamente. A perna latejava mesmo quando ele estava em repouso   e sabia também que o mar não seria nunca mais inteiro para ele. Seu corpo perdera a inteireza e o mar não perdoava isso.

  Contentava-se em ficar por ali, vagueando pela praia, controlando, espartanamente, o ínfimo salário da aposentadoria e bebendo(cada dia mais) a cachacinha boa da birosca do Tadeu.

  O boteco ficava à esquerda da ruela formada na areia pelos barracos de um lado e outro, cuja formação simulava uma rua de verdade.

Era ali que gostava de beber e nunca pecava com mortadela ou pedaço de queijo. A cachacinha só  e, de vez em quando, uma cerveja. Mas precisava economizar a aposentadoria, porque era necessário dinheiro para a cachaça, até que a morte o viesse libertar.

     Não lamentava e, de fato, nem sabia o que era isso. A vida se apresentava a cada dia e ele, na verdade, agradecia. Agradecia às vezes, a foda dada com a Margarida, mulher que se prostituía nas noites da praia por dez reais, mas era só para despistar a sede permanente da cachaça.

     Não discutia também com Deus e estranharia muito se Ele um dia lhe tirasse a cachaça.

    Seu barraco era arremedo de barraco, mas o colchão era bom, sem cheiros, e ele o ganhara da sobra de um grupo de casas que o mar levara da praia, de supetão, em uma manhã fria.

    Pegara o colchão, arrastara-o com zelo e ficara satisfeito. Às vezes, pensava que o colchão era tão importante quanto a cachaça. Aonde  haveria de cair, toda noite, senão nele, depois da cachaçada?

    Toda hora se falava naquele negócio do governador que havia roubado o dinheiro dos funcionários. Era na televisão antiga, que ele só assistia na birosca. E que tirariam dele o salário. Via de consequência, também a  cachaça. Ele que não podia mais pescar.

    Por que seria que sua perna não sarava? Ficava pensando em se matar. Achava que o Padre Rodrigo não ia gostar daquela  ideia. Homem bom, sempre cuidando dos fiéis e falando. nos sermões contra o suicídio.”Virgem Santa”, o velho padre que o batizara, como receberia isso?

     Ele dizia a si mesmo que não havia motivo para preocupação. Não podia pescar, nem mesmo nadar. Todavia,  o mar, por enquanto, estava ali., Era só entrar e ir toda a vida, sem  voltar.**

                                                           lin de Varga 

* O autor tem seu romance “O Ajustamento da dobradiça”publicado na Amazon/kindle.

**Este texto, foi escrito de supetão, isto é, foi uma experiência na qual o autor colocou a caneta sobre o papel, sem saber o que iria escrever.Depois, digitou.É claro,só há a palavra dele, autor, de que isso foi verdadeiro.

VAMOS FAZER UMA SELF?

“Eu temo o dia em que a tecnologia ultrapasse nossa interação humana e o Mundo terá uma geração de idiotas.”
Albert Einstein.

Estamos todos fixados nos celulares, em cada instante e a todo momento..Acho que não somos idiotas! Como eu poderia ser um idiota?Tenho cumprido tudo direitinho. Até faço “self”!
Lembram-se daquela falha na festa do Oscar? Erraram o título do filme vencedor: Dizem que o cara responsável estava fazendo uma self.
Self , essa coisa que a gente faz, tirando foto de nossa própria cara e, via de consequência, foto de nosso ego.
Mas não há quem não faça! Por que será? Não somos idiotas,pelo contrário, gostamos de saber que podemos manusear toda essa parafernália tecnológica.
Já viram, as pesquisas têm dito que a terceira idade, essa dos chamados “velhinhos”, está crescendo na internet.Todo mundo quer entrar nessa onda aí( Acho que “onda” é coisa de velho).
Porra, cara, fiquei aborrecido do Einstein me chamar de “idiota!” Mas ele já morreu, não posso mais processá-lo.Quem sabe a família? Talvez algum advogado, se não estiver fazendo uma self, possa me informar.Mas acho que isso seria coisa de idiota.
Fui ver no dicionário (google) o que quer dizer “self”. Vem de “selfie”, referindo-se a self-portrait, ou autorretrato. Acho que sou mesmo idiota, isso é tão claro…”Mas aprendi que auto-retrato agora se escreve com dois “rs”
Acho que se pode usar um ou uma “self”, “selfie”.
OK, minha gente, chega de tanta idiotice. O que fica é a declaração do Einstein. O cara sabia das coisas, mas, provavelmente, estaria fazendo uma… um “self”, agora.

lin de varga
#vocejafoianalisado.com

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